A voz de aço de Nelson Cavaquinho
Autor: Guilherme Pierri
Cabelos prateados. Uma voz de aço, com rouquidão curtida em madrugadas boêmias pelo Rio de Janeiro. Temas surpreendentes. Nelson Cavaquinho foi um trovador moderno, espalhando sua música e poesia pela noite carioca. Suas músicas são de uma simplicidade impressionante, como somente os grandes gênios conseguem fazer, não há um verso ou nota a mais que o necessário.
Seu envolvimento com a música inicia-se com na família. Seu pai, Brás Antônio da Silva, era músico da banda da Polícia Militar e seu tio Elvino tocava violino. Depois, morando na Gávea, passou a frequentar as rodas de choro. Foi nessa época que surge o apelido que o acompanharia por toda a vida.
Casou-se por volta dos seus 20 anos com Alice Ferreira Neves, com quem teve quatro filhos e na mesma época consegue, graças a seu pai, um trabalho na polícia fazendo rondas noturnas a cavalo. E foi assim, durante as rondas, que conheceu e passou a frequentar o morro da Mangueira, onde conheceu sambistas como Cartola e Carlos Cachaça.
Totalmente desapegado de bens materiais, vendeu grande parte de sua produção, ou pagou dívidas dando parcerias a desconhecidos. A melhor fase de seu trabalho surge quando se une em parceria com Guilherme de Brito, ao qual foi apresentado em um botequim da praça Tiradentes. Jamais conseguiu (nem pretendeu) ganhar mais que o necessário para sobre-viver. Tornou-se mais famoso e conhecido depois dos sessenta anos e morreu onde morou e viveu, no Rio de Janeiro, em 18 de fevereiro de 1986.







