A luz de Candeia - Documentário do Partido Alto
Autor: Guilherme Pierri
Acho que realmente nasci na época e lugar errado. Além de todos meus sambistas preferidos serem do Rio de Janeiro, a maioria deles já não está mais entre nós. É o caso de Antônio Candeia Filho, ou simplesmente Candeia.
Filho de sambista, cresceu cantando e versando com seus amigos em Oswaldo Cruz, bairro onde nasceu e foi criado. Com o tempo, aprendeu violão e cavaquinho, começou a jogar capoeira e a freqüentar terreiros de candomblé. Estava se forjando ali o líder que mais tarde seria um dos maiores defensores da cultura afro-brasileira. Arte negra era com ele mesmo.
Compôs em 1953 seu primeiro enredo, Seis Datas Magnas, com Altair Prego: foi quando a Portela realizou a façanha inédita de obter nota máxima em todos os quesitos do desfile (total 400 pontos).
Em 1960, Candeia decide entrar para a polícia. Tinha fama de durão e suas atitudes começaram a causar ressentimentos entre seus antigos companheiros. Provavelmente, não imaginava que começava a se abrir caminho para a tragédia que mudaria sua vida. Dizem que, ao esbofetear uma prostituta, ela rogou-lhe uma praga; na noite seguinte, ao sair atirando do carro num acidente de trânsito, levou um tiro na espinha que paralisou para sempre suas pernas.
Sua vida e sua obra se transformaram completamente. Em seus sambas, podemos ouvir seu doloroso e sereno diálogo com a deficiência e com a morte pressentida: Pintura sem Arte, Peso dos Anos, Anjo Moreno e Eterna Paz são só alguns exemplos. Recolheu-se em sua casa; não recebia praticamente ninguém. Foi um custo para os amigos como Martinho da Vila e Bibi Ferreira trazê-lo de volta. De qualquer maneira, meu amor, eu canto, diria ele depois num dos versos que marcaram seu reencontro com a vida.
A vida voltou a fazer sentido e o samba voltou a fluir com alegria. Candeia comandava tudo de seu trono de rei, a cadeira que nunca mais abandonaria.
No curto reinado que lhe restava, dono de uma personalidade rica e forte, Candeia foi líder carismático, afinado com as amarguras e aspirações de seu povo. Fiel à sua vocação de sambista, cantou sua luta em músicas como Dia de Graça e Minha Gente do Morro. Coerente com seus ideais, em dezembro de 75 fundou a Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O documento que delineava os objetivos de sua nova escola dizia: Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo.
O documentário abaixo, mostra um breve resumo em 3 partes, dos sambas no terreiros, rodas de samba e reuniões de Candeia com amigos discutindo o partido alto. Na abertura, temos o impressionante samba Testamento de Partideiro, onde dizia: Quem rezar por mim que o faça sambando. Uma frase que resume em palavras a força do samba para Candeia.
Parte1:
Parte2:
Parte3:
Post dedicado ao meu amigo e parceiro @burnobernardo !
AXÉ…








CARA,,,,,MUITO BONITA SUAS PALAVRAS…SAMBA DE RAIZ É SEMPRE BOM TER CONHECIMENTO…PARABÉNS!!!!!!!!!! UMA RELIQUIA